A zona norte reúne desde bairros muito antigos, surgidos nos caminhos antigos da época em que São Paulo ainda era uma pequena vila, passando pelos que se nasceram e se desenvolveram a partir de chácaras e sítios dos arredores do núcleo central da cidade ou em torno de igrejas. Tem também bairros que cresceram com a chegada da elite cafeeira, das indústrias e dos imigrantes, que trouxeram novas técnicas construtivas e ideais estéticos e os que nasceram para suprir a falta de moradia no centro da cidade, em locais mais distantes e muitas vezes em situação de risco.

Convivem nesta região, por exemplo, a Freguesia do Ó, um dos mais antigos núcleos de povoação da cidade, e a Brasilândia, que surgiu quase na segunda metade do século 20. A maioria, no entanto, se desenvolveu a partir do loteamento de antigos sítios e chácaras da região, como a Cachoeirinha, Limão e Casa Verde.

Parque da Cantareira/Guilherme Gaensly, 1896

Dentre os bairros, a Freguesia do Ó é o mais antigo. Sua ocupação data de 1580, quando o sertanista Manoel Preto tinha uma fazenda na região, que abrange a área que hoje conhecemos por Limão, Jaraguá, Pirituba e Freguesia do Ó. O local mais antigo do bairro é o núcleo original que compreende o Largo Velho da Matriz e o Largo Novo da Matriz de Nossa Senhora do Ó.

Do Largo Velho partiram expedições bandeiristas que seguiam rumo ao interior. Em 1610 foi construída a primeira capela dedicada a Nossa Senhora do Ó. Anos mais tarde, em 1796, a vila foi elevada a Freguesia e uma nova igreja foi construída no Largo Velho da Matriz. Contudo foi atingida por um incêndio e, em 1901, foi construída a atual Igreja Matriz da Nossa Senhora do Ó, agora já no novo largo. Até a primeira metade do século 20 a região compunha um cinturão verde, com cultivo de cana-de-açúcar, café, mandioca, algodão e milho.

Largo da Matriz Velha, Freguesia do Ó/Autor desconhecido

A região como um todo foi ocupada por chácaras e sítios até meados do século 20. O bairro de Cachoeirinha foi loteado ainda no século 19 e recebeu imigrantes japoneses. O Largo do Japonês ganhou este nome por sediar a antiga loja de construção de Gunzaburo Omae, um dos primeiros a se estabelecer na área. O nome Cachoeirinha é referência a uma cachoeira, hoje desaparecida, que existia nessa região.

Os bairros do Limão, Casa Verde e Brasilândia foram loteados já no século 20. Antes disso a área era ocupada por sítios e chácaras de imigrantes portugueses e italianos.

Ponte da Casa Verde em 1942/B. J. Duarte

A gleba que deu origem à Brasilândia pertencia a Brasílio Simões e foi vendida à Empresa Brasilândia de Terrenos e Construções. O loteamento foi lançado em 1947, época em que muitas obras públicas implicaram em desapropriações de áreas populares no centro da cidade. Sem condições de se manter, os antigos moradores procuraram bairros mais afastados, e a Brasilândia recebeu muitas dessas famílias, assim como migrantes do Nordeste e do interior de São Paulo.

Pedreira da Freguesia do Ó/Autor Desconhecido, 1927

A pedreira Vega Sopave, que iniciou as atividades em 1939, também ajudou a atrair para a região muitos moradores.

O bairro do Limão começou a ser loteado em 1921 por Mateus Bei (que também loteou o bairro de São Mateus, na zona leste). As primeiras famílias chegaram em 1930 e, a partir de então, a região cresceu rapidamente.

Em 1935 a primeira linha de ônibus chegou ao bairro, partindo da Barra Funda, e em 1939 foi erguida a Igreja de Santo Antônio do Limão. O bairro ainda é a casa da escola de samba Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Mocidade Alegre.

A Casa Verde, como muitos de seus vizinhos, se desenvolveu somente no século 20 quando o antigo sítio Casa Verde foi loteado pelos herdeiros de João Maxwell Rudge, em 1913.

Sítio Morrinhos em 1973/Autor desconhecido

O sítio foi propriedade de Amador Bueno e, depois, de um descendente seu, o militar José Arouche de Toledo Rendon. É desta época que a área foi batizada de Casa Verde, por causa das janelas verdes da casa onde viviam sete irmãs solteiras de José Rendon. O bairro abriga dois imóveis em taipa de pilão, o Sítio Morrinhos e o Sítio Santa Luzia.

Acredita-se que a casa do Sítio Morrinhos tenha sido construída em 1702, devido a uma inscrição na porta. O sítio, que pertenceu à família Baruel, hoje integra o Museu da Cidade de São Paulo. A casa bandeirista passou por reformas, incluindo o acréscimo de um pequeno pavimento superior, durante o período que pertenceu aos monges beneditinos, no início do século 20.

O sítio Santa Luzia, também construído em taipa de pilão, é uma construção do século 19 e pertenceu a Joaquim Eugênio de Lima.

Sítio Morrinhos em 1976/Edison Pacheco Aquino

A zona norte de São Paulo é conhecida por abrigar o Parque Estadual da Cantareira, uma importante área verde para a cidade com mais de 7.900 hectares de Mata Atlântica . O Parque é reconhecido como Reserva da Biosfera pela Unesco e possui fauna e flora heterogênea, inclusive com espécies ameaçadas de extinção.

Vista do Horto Florestal, 1938/BJ Duarte

A área do parque é dividida em quatro núcleos: Núcleo Pedra Grande, Núcleo Engordador, Núcleo Águas Claras e Núcleo Cabuçu. No Núcleo do Engordador há a Casa de Bombas, imóvel de 1894 que fez parte do primeiro sistema de abastecimento de água de São Paulo.

Brasilândia em 2004/Cecilia Laskiewicz

Norte 2 – Brasilândia, Freguesia do Ó, Cachoeirinha, Limão e Casa Verde