A história dos bairros da Vila Sônia, Raposo Tavares e Rio Pequeno passa pelos caminhos que orientaram a expansão de São Paulo, desde os tempos coloniais até a ascensão do transporte rodoviário, incluindo as ferrovias, que impulsionaram o rápido desenvolvimento e crescimento do fim do século 19 até meados do século 20.

A ocupação da região foi aberta pela estrada de tropeiros com destino a Sorocaba. O caminho partia do Centro Velho, seguia pelas atuais ruas da Consolação e Teodoro Sampaio até chegar ao rio Pinheiros. A partir de então tomava a direção da rodovia Raposo Tavares. Este território está localizado na área de várzea dos rios Pinheiros e Pirajuçara, cuja paisagem era marcada por chácaras e áreas alagadiças.

Em 1908 chegou ao porto de Santos o primeiro navio de imigrantes japoneses. Vindos para trabalhar em lavouras, parte destes imigrantes se instalou na região do Vale do Pirajuçara, que atualmente abriga os distritos Vila Sonia, Butantã e as cidades Embu das Artes e Taboão da Serra. Exerceram forte influência na região, como a divulgação e ensino do judô no Brasil e em logradouros, como a avenida do Imigrante Japonês, na Vila Sônia. Porém, somente após a abertura da rodovia Raposo Tavares, na década de 1940, a Vila Sônia se urbanizou.

Desde 2016, em uma parte do território da Vila Sônia, funciona o Parque Chácara do Jockey. Este local abrigou entre década as 1940 e 1970 a antiga chácara do Jockey Club de São Paulo. A iniciativa de transformar o espaço em um parque partiu dos moradores da região, que, até então, sofriam com a falta de áreas verdes de lazer e com enchentes. Junto ao Jockey Club de São Paulo, localizado no Butantã, integra a história do hipismo e é referência a uma prática cultural da elite paulistana.

Vista aérea do Parque Chácara do Jockey/Eder Schunck

Também na Vila Sonia há o antigo marco limite entre os municípios de São Paulo e Santo Amaro, na atual avenida Francisco Morato. Esta avenida era a Estrada nº 5, ligava Pinheiros a Taboão da Serra e Osasco. Junto a outros quatro localizados em São Paulo, os marcos rodoviários são referências ao antigo sistema viário e testemunhas do processo de expansão e transformação da cidade.

Raposo Tavares

Raposo Tavares possui forte relação com a rodovia de mesmo nome, pois é uma das principais entradas ao bairro. Desenvolveu-se após a abertura dela, no final da década de 1930. Inicialmente o loteamento foi destinado a operários e famílias de menor renda, que buscavam terrenos mais acessíveis e próximos a eixos de transporte. Posteriormente, na década de 1950, indústrias se instalaram ao longo da rodovia Raposo Tavares e promoveram crescimento e adensamento dos bairros de seus arredores.

O bairro, devido a sua urbanização recente, ainda não abriga bens tombados. Contudo, o parque Raposo Tavares, inaugurado em 1981, apresenta características peculiares e relevantes. É o primeiro parque na América do Sul situado onde antes era um aterro sanitário. O solo de lá é composto por camadas compactadas de lixo, argila e terra, que diminuem a disseminação de gases.

Rio Pequeno

Até meados do século 18, a região do Rio Pequeno foi um dos vários sítios que os padres jesuítas possuíam em São Paulo. Sua urbanização ocorreu nas décadas de 1950 e 1960 —até então o território era uma das zonas rurais da cidade.

Vista para a Favela São Remo a partir da avenida Rio Pequeno/Humberto Do Lago Müller

Com a industrialização de Osasco e do distrito vizinho Jaguaré, o Rio Pequeno passou a abrigar vilas operárias. Também na década de 1960 recebeu os trabalhadores da construção da Cidade Universitária. Hoje mescla áreas com infraestrutura e comércio, como as avenidas Rio Pequeno e Engenheiro Heitor Antônio Eiras Garcia, e áreas com muitas carências, como as favelas São Remo e Sapé.

Oeste 2 – Vila Sônia, Raposo Tavares e Rio Pequeno