Este ano, a Jornada do Patrimônio busca refletir sobre o diálogo dos bens culturais com o presente e o futuro da cidade, dentro do tema “Construindo Histórias”.

Esse tema foi dividido em sete eixos com programação especial neste ano: estudar, trabalhar, morar, comprar e vender, circular, passear e lembrar.

No eixo “Trabalhar” será explorado o modo como os excedentes da economia cafeeira e a construção de ferrovias impulsionaram o desenvolvimento industrial de São Paulo. Posteriormente, com as mudanças nas logísticas de transporte e economia, algumas dessas fábricas deixaram a cidade e seus edifícios foram ocupados de formas diversas, como ocorre no Sesc Pompéia, um centro cultural instalado em uma antiga fábrica de tambores de armazenamento.

Ponto Focal

O imóvel escolhido para representar o eixo Trabalhar foi a Cinemateca Brasileira, antigo Matadouro Municipal, na Vila Mariana.

Além da exposição sobre o tema, com fotos do acervo do Museu da Cidade de São Paulo, o imóvel receberá a festa argentina Pies Descalzos, com uma performance interativa. O espetáculo cria um espaço no qual o público é parte da apresentação durante as mais de 20 performances, que usam diferentes linguagens, aéreas e de chão.

São Paulo foi até o século 19 uma cidade modesta, mas localizada estrategicamente no primeiro planalto após a subida da Serra do Mar. Devido a sua localização, a cidade serviu, desde seu início, como entreposto aos viajantes vindos do interior e litoral, um dos elementos que contribuiu para a transformação de vila em uma metrópole mundial.

Com o enriquecimento provocado pela produção cafeeira no interior do Estado na segunda metade do século 19, foram construídas as linhas férreas para o transporte de mercadorias, por exemplo, a Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, inaugurada em 1867. Neste contexto, os barões de café e alguns imigrantes investiram nas primeiras indústrias e as instalam nas proximidades das ferrovias que acompanhavam as áreas baixas e retificadas ao longo dos rios Tamanduateí e Tietê.

Barra Funda, Lapa, Brás e Mooca são bairros que surgiram ou se expandiram nessa época. Neles foram construídas fábricas, normalmente de tijolos aparentes, e vilas operárias e comércios. As transformações que estas indústrias proporcionaram na cidade será um dos temas abordados no roteiro “Caminhada pelo Patrimônio Industrial da Mooca”, que passeia pelo bairro.

Muitos desses antigos edifícios fabris tiveram o uso alterado ao longo dos anos. Essa é uma excelente forma de preservar o patrimônio histórico, pois o insere e adequa às necessidades do presente e futuro. É o caso da Antiga Fábrica da Alpargatas, na Mooca, que hoje abriga uma universidade.

Mais uma atividade do eixo “Trabalhar” são os roteiros temáticos autoguiados elaborados em uma parceria do Sesc com o DPH que estarão disponíveis na unidade do Sesc 24 de Maio. Estes roteiros são divididos de acordo com os sete eixos da Jornada, e o que fala sobre as indústrias paulistanas sugere um passeio pelos edifícios industriais de Mooca.

Veja outras atividades da Jornada que dialogam com o eixo “Trabalhar”:

Imóveis
Antiga Fábrica da Alpargatas
Casa das Caldeiras

Roteiros
Caminhada Pela Estrada de Ferro Perus Pirapora
Caminhada pelo Patrimônio Industrial da Mooca
Sesc – Patrimônio Industrial de São Paulo
Selim Cultural pelo Patrimônio Industrial

Oficinas
FotoJornada do Patrimônio 2017 – Construindo Histórias – Estudar e Trabalhar

Exposição
Construindo Histórias – Trabalhar em São Paulo – Cinemateca